Contato
55 11 3287-1984
Imagens Release Ficha Técnica Clipping Vídeo

 

<> A POESIA SECRETA DE ANDRÉIA

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

Assim começa a poesia Tabacaria de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos). Assim também começa aquele dia especial na vida de Beto, um ator, quando se prepara para uma apresentação que poderá mudar a sua vida e da sua irmã, Andréia, que passam por tempos difíceis.

Beto cuida de Andréia que não tem condições de cuidar de nada. Aos dois anos ela teve uma meningite que provocou uma profunda alteração em sua mente. Desde então vive em um mundo à parte, difícil de alcançar, mas lúdico e poético às vezes e apavorante noutras, pelas reações que externa. Como viver assim, então, sem a menor condição financeira? O jeito é ir à luta da maneira possível, sem perder a dignidade e sem permitir que aquele ser, em situação tão especial, como sua irmã, tenha uma vida mais difícil ainda.

E este dia especial de Beto é um dia comum de Andréia, com as suas solicitações e necessidades permanentes e sempre urgentes. Beto, enquanto repassa o poema Tabacaria vai atendendo aos pedidos da irmã, as suas manifestações variadas, dinâmicas, provocativas, detalhistas de tal forma que o presente deles se transforma em um caldeirão transbordante de sentimentos variados. Parece até que Tabacaria correu pelas veias deles ali naquele momento, ou terá sido o pulsar existencial deles que percorreu como uma avalanche por dentro dos versos de Fernando Pessoa?

A marcação cênica do personagem Beto é pontuada através de movimentação linear e de ritmos alternados conforme a intensidade e a sutileza dramática da poesia de Fernando Pessoa.

A expressividade gestual de Andréia foi baseada na observação da pessoa real que inspirou a personagem central da peça e a partir daí surgiu a busca de um controle corporal através de exercícios e técnicas de dança contemporânea e mímica corporal dramática. Na mesma linha de estudo, 90% de todas as falas da personagem Andréia são verídicas, ou seja, são expressões reais, exatas, da inspiradora do drama. Exatamente por isso foi possível desenvolver uma interpretação sensível, tocante, com um aparente realismo que quase parece extrapolar a dimensão cênica do espetáculo.

A trilha sonora do espetáculo é executada ao vivo, pelo cantor e compositor Carlos Franco Drummond, que criou as músicas e solos especialmente para a peça. Através de suas composições, da sua voz e do seu violão, Carlos incorpora uma espécie de "terceiro personagem" da cena, comentando e fortalecendo a dramaticidade e a poética da trama.

O cenário é minimalista, com apenas um painel azul, um tapete, uma luminária, dois bancos e uma cadeira, uma vez que o espetáculo volta-se especialmente para o trabalho de pesquisa e interpretação dos atores. Os adereços complementam o cenário relacionando-se com as ações cênicas e a história de cada personagem, bem como o urso de pelúcia da Andréia, que lhe simboliza o conforto e companheirismo nos momentos de solidão.

Pela situação delicada da história, o grupo não só obteve autorização da família para tratar o tema, como também assumiu o compromisso de preservar a identidade real de Andréia.

         HOME
 CIA. LÚDICA
 REPERTÓRIO
   CONTATO